Lembro-me da minha infância quando comprava meu material escolar e ficava com expectativa para a aula voltar. Relembro de sábado passado levando minha filha para pegar o material que já havia reservado uma semana antes.
Então, entrei, duas semanas atrás, com um projeto claro e relativamente simples, numa dessas Mega Livrarias de Shopping Center com a lista de livros para comprar o material da minha filha.
Você sabe melhor do que eu que shopping center na parte da manhã e durante a semana é tranqüilo. Um pouco antes do almoço. Bem tranqüilo. Então fui muito bem atendido. No entanto, no intervalo entre o atendente verificar se possuía os livros até efetivar a compra de fato, passaram-se alguns minutos...
Contemplar é algo raro nos dias de hoje... pois é, comecei a perambular pela livraria, como criança (de terno, mas criança)... mexendo onde não devia, deixando livro cair. Essa brincadeira durou mais do que alguns minutos! Você já parou para analisar uma livraria? O meu olhar ficou inquieto passando e navegando pelo tema, pelo título....ouso a dizer que também olhava o livro pela cor...fiquei feliz de lembrar que um livro que achei interessante...Eu tinha! A quanto tempo não abro para folhear em casa. Reflexão.
Voltando a livraria: tem música, computador, filme, revista, papelaria, cafeteria, souvenir, camiseta e muitos livros. Neste breve momento de cotidiano e de pai observei que nunca havia refletido sobre o que está por trás de uma livraria, tirando o business do negócio... Tem conhecimento impregnado em cada detalhe... Pense nos autores, nos estudos, nos sonhos. Relembre do último livro que leu. Você ganhou? Tem que ter sensibilidade atualmente para dar e receber conhecimento, isto é, livro.
Por outro lado, temos a internet, a ferramenta de pesquisa e uma porção de outras formas de conhecimento... e-mail, rede sociais. São meios virtuais. São todos fragmentos de pensamentos, de modo de ver e compreender as coisas. Em outras palavras, temos inúmeras ferramentas e técnicas que manipulam, distribuem e ampliam a informações. Mas são apenas meios. O alcance e profundidade de uma biblioteca, a livraria também são meios. São lugares físicos.
Ao falar em biblioteca, a primeira que me vem a cabeça é a Biblioteca Pública do Paraná, no centro de Curitiba... As fichas para retirar os livros. O projeto arquitetônico, as estantes, o piso...Está tudo disponível! Lembro-me também de imediato de uma pintura de Rafael Sanzio da Renascença denominada Escola de Atenas...Não deixe de ver esta pintura! Renascimento puro!
Ah, os livros têm o seu lugar garantido mas já não se fala tanto sobre os lançamentos, conhecimentos e expertises. Está tudo um pouco diluído. O ruim é que acabamos nos tornando superficiais, de uma maneira ou de outra acabamos entendendo de tudo, precisamos compreender que entender significados ou usar conceitos não nos torna sábios ou até mesmos especialistas. Quantos livros “alegamos ter lido” (metaforicamente) porque observamos a capa ? Por isso o autor, aquele que sintetiza o seu conhecimento nos diversos gêneros da escrita merece uma consideração especial.
Precisamos dar valor ao saber, ao saber fazer, e simplesmente fazer !
Essa é a questão: Os meios (ferramentas e técnicas) podem estar se alterando, mas a nossa necessidade de conhecer, de saber mais continua aqui inalterada. Que seja em formato digital ou impresso. Queremos algo mais. Uma inquietação. A livraria é um espaço carregado de significados.
Agora o atendente voltou e fez a reserva de todos os livros...comprei. Basta voltar para buscar os livros, isto é, conhecimento que faz parte da educação da minha filha que já pesquisa na internet com 7 anos. As ferramentas mudam, mas o projeto é o mesmo! Aliás, acabei comprando um livro e o projeto de comprar o material da minha filha estourou o orçamento. Imprevistos acontecem e alteram o plano. Para melhor !!! Lições aprendidas !